
Minha vida amorosa começou aos 14 anos quando eu estava na praia. Jamais poderia imaginar que um rapaz com aquelas características pudesse se interessar por mim, ainda mais na praia!! Sim. Na praia, pois eu me achava muito magra e sem graça. Sempre cercada de amigas mais interessantes fisicamente, contentava-me em ser menos olhada e cobiçada numa boa, não havia em mim o sentido de concorrer ou de querer ser melhor que elas – até hoje, sou assim.
Com meu jeito sempre sorridente e brincalhão, demorei um bocado para perceber que aquele rapaz alto, moreno, de olhos expressivos e com um corpo bem feito estaria por detrás daqueles óculos escuros me paquerando. Mas, estava e eu resolvi retribuir e porque não?
Poucos minutos depois ele se aproximou e trocamos uma conversa um pouco tímida, mas o suficiente para sabermos telefone e endereço um dos outro. Eu estava numa felicidade só. As dificuldades existiam, pois naquela época eu não tinha telefone, sendo assim eu teria de me comunicar com ele e assim eu fiz. Telefonava com freqüência até marcarmos o dia do passeio!!... rsssssssssss
Com o pai severo que tinha eu nem me atreveria na distância de casa. Coloquei um vestidinho branco, estilo tubinho muito usado na época, caprichei nos cabelos, perfume suave e sai ansiosa pelo encontro.
Lá estava ele. Na esquina de casa, de pé à minha espera. Era demais para um coração solitário e virgem como o meu!!! Ele chegara sem carro e isso me tranqüilizava, pois, tínhamos receio de entrar em carros de desconhecidos. Um leve beijo, na face, trocamos e partimos para aquela que foi a primeira caminhada. Ele era alegre e falava com facilidade sobre o que fazia e do que gostava. Eu um tanto tímida me limitava a acompanhar a conversa, acrescentando o meu lado ou dados na conversa.
Andamos bastante até que finalmente ele segurou em minha mão. Era uma sensação gostosa cheia de importância – não havia preocupação com horário, nem se iria chover. O coração batia forte e a expectativa aumentava à medida que ele se aproximava cada vez mais. Com medo e a timidez aumentando, sugeri voltarmos para casa, não gostaria que meu pai sentisse minha falta e já estava escurecendo. Ele prontamente atendeu e votamos numa caminhada contrária. A certa altura ele parou, segurou minha cintura e me beijou nos lábios. Eu não sabia bem o que fazer, meus lábios também eram virgens..rssssssss
Mesmo com receio de errar, de passar por: a menina que não sabe beijar. Entreguei-me aquele beijo doce e sem grandes paixões. Era um beijo infantil, um beijo de começo, um beijo prometedor, um beijo que me acordara para a vida onde o amor tomaria conta e abriria o caminho para a paixão – que afinal não foi com ele. Porém, o caminho estava aberto e aquela menina magra e sem graça começava seu ritmo e rumo de mulher.