30 de abr de 2009

Depois da Chuva


Amei com a sutileza de algo único
Mimei demais a própria vida
Esperei como quem contempla o sol,
depois da chuva.
Desejei como quem sacia a paz do corpo
Persegui os caminhos floridos,
pois só neles via esse amor.
Contemplei águas bravias
na esperança do despertar.
Avistei o fim por muitas vezes
O começo jamais chegou


Hoje, encontro ondas dentro de mim.
Já não alimento sentimento inerte
Acalento o desejo que há de vir
Já não transformo o momento
Nem o vazio que me foi companheiro
Sob a reprovação dos astros e estrelas
Que as noites guardaram em mim.

28 de abr de 2009


Que amor é esse que me invade?
Que balança Minh’alma de alegria?
Que amor é esse que me enlouquece,
esquece de mim, sem pesar?
Que amor é esse em desalento,
Traz em si a insônia, adormece,
Enlouquece, adentra minha carne
Resseca minha boca, retorna meus prantos?
Que amor é esse de desenganos,
boas e más lembranças, amor amigo?
Amor bandido?
Amor que arrasta e sangra a vida
Amor desconfiado, amuado.
Amor que cega e estende a mão.
Amor que invade e se perde
Nas calçadas do meu coração.

25 de abr de 2009


Nunca mais a tua face será viva
Nem os teus passos agirão como fugitivo
O tempo jamais será dado em prol de ti
A luz da tarde mostra-me os restos desse amor.
Nossas mãos não se encontrarão em nenhuma vertente.
Meus olhos só hão de avistar o que de real existir.
Porque eu amei como se vivo estivesses
Amei tua glória no palco que fizemos
Amei teu nome rabiscado e apagado
Teu suor que grudou em minha mente
Amei-te na mentira transparente
Nem tua ausência sobrou-me
Foste em mim um rosto invisível.
Fechei meus olhos em tua negação.

23 de abr de 2009

Apenas Só


Uma mulher só, apenas só
Num momento profundo e só..
Dorme solitária, numa solitária ilusão.
Um corpo solidário numa cama fria.
Sem suportar a cabeça,
tem a dor como companhia, enquanto dorme.
As pessoas passam como pássaros perdidos.
Jamais perceberão sua solidão.
Uma solidão que, também, passa.
Assim como o sono de uma mulher só.



Prelúdio
Bernardo Guimarães


Neste alaúde, que a saudade afina,
Apraz-me às vêzes descantar lembranças
De um tempo mais ditoso;

De um tempo em que entre sonhos de ventura
Minha alma repousava adormecida
Nos braços da esperança.

Eu amo essas lembranças, como o cisne
Ama seu lago azul, ou como a pomba
Do bosque as sombras ama.

Eu amo essas lembranças; deixam n'alma
Um quê de vago e triste, que mitiga
Da vida os amargores.

Assim de um belo dia, que esvaiu-se,
Longo tempo nas margens do ocidente
Repousa a luz saudosa.

Eu amo essas lembranças; são grinaldas
Que o prazer desfolhou, murchas relíquias
De esplêndido festim;

Tristes flores sem viço! - mas um resto
Inda conservam do suave aroma
Que outrora enfeitiçou-nos.

Quando o presente corre árido e triste,
E no céu do porvir pairam sinistras
As nuvens da incerteza,

Só no passado doce abrigo achamos
E nos apraz fitar saudosos olhos
Na senda decorrida;

Assim de novo um pouco se respira
Uma aura das venturas já fruídas,
Assim revive ainda

O coração que angústias já murcharam,
Bem como a flor ceifada em vasos d'água
Revive alguns instantes.


20 de abr de 2009

A ti

Aconchega-te na vida como se fosse teu único e último lar. Rendo-me a ti vencedor das dores, das horas amargas. Declamo a ti a melhor das poesias e doçuras das palavras. Pelo que és. Diante da bravura com que lutas pelo brilho do sol. Num amanhecer que rega seus dias sob comando da esperança Ainda que a expressão seja de dor que a noite esconde

Em teu corpo já não se vejam os músculos
que te cobriam em tempos de ouro
tuas pernas vacilantes procuram a bola invisível
num campo, hoje, minado sobre o verde de outrora.
Resta-me de ti o olhar claro suplicante
O amor que sempre compôs nosso cenário
A certeza de sempre nos reencontrarmos
Nos cruzamentos de alguma vida e por amor eterno.

19 de abr de 2009



Momentos, palavras doces, ásperas tantas vezes, estarão para sempre em nossas vidas, perpetuamente! Silêncios que pertenciam à imaginação, longe da realidade, são agora o que nos une, a cada segundo, minutos, horas e dias são como séculos que nos distanciaram nessa busca insana de um encontro sem fim, sem resposta, sem sentido.

E tanto de mistério, de sonhos acordados, sobressaltos vieram, num sacudir cruel. Nas memórias serenas, idéias peregrinas e ciganas, que em noites frias me aqueceram e esqueceram. Alma em chama numa vontade de amor, por um minuto que fosse. Dorme um sono claro e calmo, num hoje em volto no real.



Quero de volta a alegria de que poucos viram,
esse clarão mágico que ficavam em nossos olhos ao imaginarmos nos ver. Um momento emudecedor presos nas garras de uma paixão,
enlouquecidos pelas mudas palavras, expressas pela claridade de algum objeto extraterrestre, presenciado pela lua e apoiado pelo brilho do sol
Foi embora sem ter vindo, morreu sem jamais ter vivido.

16 de abr de 2009

Memes, Versos e Verdades

Meme do dicionário




O Olavo do Blog Traços de Um Homem, pessoa que vem somando positivamente com suas visitas e comentários sempre tão carinhosos, recebeu esses memes respectivamente da: Joyce, Nanda do Blog Pensamentos Soltos e do Casal do Arrocha




1) Pegue o dicionário, de preferência de língua portuguesa, mais próximo que você encontrar;

2) Abra esse dicionário em qualquer página;

3) A primeira palavra que você ver pegue para si, e a digite no “Google Imagens“;
4) Faça uma postagem dizendo que palavra foi essa e mostre o primeiro resultado de imagem conseguido digitando essa palavra.

suado adj.
sing. part. pass. de suar

suado
adj.
1. Que tem suor.
2. Fig. Adquirido a muito custo, com o suor do rosto. (Ver soado.)


Desejo Suado

Assim como o relevo dos mapas
de ti relembro o desenho do pecado
transcrevo em meu corpo um mundo
Louco.
Traço na pele um destino
Num leve toque divino
Oh, desatino!
Quando em minhas mãos
Sinto teu corpo molhado,
Suado em desejo ardente
Desfaço-me e refaço-me

em Amor.


Meme 5 minutos




Meme5 minutos a mais por hora, rende ao final do dia 2 horas a mais ...
o que você faria?

Ahhh!! Eu nem me imagino com mais duas horas em meus dias. Às vezes tenho a impressão de que dia tem 48 h. Verdade. Sou uma pessoa ágil por herança familiar, ansiosa por temperamento e tenho rapidez no pensamento também – sou apelidada por uma amiga de “robozinho” rsssss, Portanto, entendo que mais horas em meu dia servirão para me deixar mais cansada ainda... Gosto das 24h apenas.


1) O que te move?
A determinação

2) O que te levou a escrever um blog?
O incentivo de amigos blogueiros como o Zé Carlos do blog A Casa do Zé

3) Um grande defeito seu?
A persistência pode ser um grande defeito, caso seja em excesso.

4) Uma grande virtude sua?
Sou uma pessoa bastante amiga e atenciosa

5) Um desejo realizado?
Ter uma vida profissional estável

6) Um desejo a realizar?
Conhecer a Suíça

7) A maior loucura?
Querer alguém sem conhecer pessoalmente



E mais um foi passado a mim, este







Olavo,

Aceitei seu convite com muito carinho, nos conhecemos faz pouco tempo, mas existe uma identificação bastante positiva entre nossas letras e palavras...Desejo sinceramente que vc tenha seus sonhos realizados.

Deixo aqui o convite para todos que desejarem participar.


15 de abr de 2009


Algumas pessoas entram em nossas vidas de mansinho, como aves que pisam leve, como pavão, cujas asas abrem-se lindas apesar das patas. Enchem os olhos de todos e enganam pela beleza colorida.

Quero lavar minha alma, que foi acometida por uma dessas aves. Por favor: lavem com toda pureza com ingredientes fortes, como estes que fazem sumir.

Assim, estamparei no rosto a beleza da simplicidade, do amor que sinto sem troca, o sorriso que preciso sorrir de novo.

12 de abr de 2009


É a alma o segredo de minha vida,
pois tento em palavras traduzir os desejos,
tento mostrar que com pouco posso encontrar,
que posso percorrer um coração e despertar
a mais oculta dor, de amor...

E amar.

11 de abr de 2009


Todos os verbos ligados às promessas e expectativas nos movem para alcançar a tão desejada felicidade. O profundo significado da páscoa é o de que todos os homens, de todos os credos e povos, recordem o seu significado, como símbolo de liberdade e esperança para a Humanidade.

Não tenho pra você uma mensagem dessas lindas e que de tão coloridas e brilhantes nos fazem distrair. Portanto quero desejar uma fé especial, e essa fé é a sua, só sua – fica num ambiente só e unicamente seu, busque-o e creia nesse Deus, que só você sabe o nome, só você tem intimidade. Estou certa de que assim, você encontrará todas as ressurreições necessárias:

Sorria!

Alegre-se!

Ame!

Chore!

Lembre-se

Sonhe!

Acredite em você.

Uma Páscoa de Paz a todos.

10 de abr de 2009

Quem morrerá na Cruz?




Amanheci presenciando as falas que me levaram à reflexão do sofrimento de Jesus e num leve paralelo com este que o homem tem passado por suas próprias mãos.

O homem acostumado em associar a ordem ao perfeito, e o perfeito a Deus, olha para as forças de construção da vida e enxerga somente o caos, o sofrimento, o oposto à ordem, o oposto a Deus. Foi fácil para si, sentindo-se frágil e impotente diante de tanta destruição para a geração do novo, associar esse caos ao demônio, às trevas e ao mal, quando o caos na natureza é parte da criação divina aqui na Terra.

A verdade é que muitas vezes não é apenas a força da vida da Terra a gerar o caos, pois o homem tem sido sua fonte quando usa exclusivamente as forças instintivas de sobrevivência - seja para manter seu corpo físico, suas idéias e crenças, posses, família, tradições ou filosofia - sempre sintonizado com a perfeita face egoísta e infantil, que ignora o bem que descansa em seu íntimo, gerando violência, crueldade, ódios, guerras, destruição, doenças, obsessões e vícios.

Daí surge a imposição que o homem impõe ao outro homem e ao planeta Terra como um todo, sofrendo também suas conseqüências, porque ao viver perdido de si mesmo, na total ignorância de sua destinação, sem perceber sela para si mesmo um período onde ficará sujeito às forças da transformação até que ele seja suficientemente educado ou forjado pelo fogo reconstrutor da vida, pois em todos nós as forças de construção da vida estão em ação, ainda que em silêncio.




"Não, você não sabe, você não sabe como tentei me interessar pelo
desinteressantíssimo"
Caio Fernando Abreu

9 de abr de 2009

Visitem


Convido a todos vocês que visitem essa exposição.

" MELANCOLIA VIDEOS APÓS DÜRER"

DE MARCANTONIO


Convidada pelo irmão da artista estive lá, ontem, na estréia e adorei. Valeu pela beleza e harmonia que este jovem artista já demonstra em sua arte.

Um pouco a mais de Dürer








Auto-retrato Melancolia

Desenho





8 de abr de 2009

Caminho perdido


Segui os seus passos pensando
que você soubesse o caminho
Vi-me em seus sonhos perdida,
sem saber que direção seguir
mundos tão estranhos nas palavras
que eu ouvi no fundo dos meus olhos,
afogados em gelo eu descobri
falar de amor não é amar,
nem querer ninguém
falar de amor não é amar alguém
Cai em pedaços,
grãos de areia carregados por marés
Derreti em seus lábios sentindo
o chão sumir sob meus pés
Dias esquecidos no verão que eu inventei
Sei que você vive das mentiras que eu
acreditei.

A voz do silêncio

Voltei a ouvir aquela voz, aquela que já te contei.
Do meu silêncio esmagador...
Busquei no vento um som de alegria

Essa ausência que me incomodou
Hoje, já não sinto mais.
Minhas noites preenchem a cor da realidade
Vibro no pó do esquecimento.

Não eras para mim
Aquele senhor dos meus sonhos secretos
De farda e valente para a luta
Somos pessoas que passaram.


Sigamos em frente
Cada qual seu caminho
Limpemos de vez nossos pés
da lama que rastreou nossos dias.
Porque hoje, tenho outros passos
que compactuam com os meus.

7 de abr de 2009

Inicio de uma bela e confusa história



Eles se conheceram e não eram livres.
Desataram os nós e abriram as algemas que os separavam.
Juntaram-se num amor louco e polêmico, cheio de conflitos.
Muitas viagens à lua e à terra. Venceram e permaneceram
Juntos e cuidando de todos os frutos, espinhos que surgiam.
O tempo passou. O amor era vencido pelas tentações
que a vida lhes trazia. Já não sabiam ao certo o que era amor,
sentimento curtido pela convivência ou outra coisa qualquer.
Nessa confusão – perderam-se.
Atropelavam os acontecimentos.
Esqueceram as flores e o perfume que coloriam
aquele grandioso sentimento.
Tempo ingrato e cruel.
O mesmo que os trouxeram de volta
Que após tantos anos, conseguem mostrar
a beleza dos cabelos brancos
Das mãos cansadas,
da cabeça meio tonta pelas mudanças.
Do sorriso entrecortado pelas dores
A mágoa sendo vencida pelos minutos
Segundos importantes, o tempo que não espera mais
A união jamais formalizada.
A vontade de consagrar esse tempo – uma aliança.
O inicio de uma vida melhor.

5 de abr de 2009

Se os tubarões fossem homens



Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentís com os peixes pequenos. Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais. Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim de que não moressem antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.



[...]
Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros. As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que, entre os peixinhos e outros tubarões existem gigantescas diferenças. Eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro. Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos da outra língua silenciosos seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.

[...]
Se os tubarões fossem homens, eles ensinariam essa religião. E só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida. Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros. Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões, pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar. E os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiros da construção de caixas e assim por diante. Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.



Tenho lido pouco, bem menos do que gostaria, mas vez ou outra encontro textos maravilhosos como estes de Bertolt Brecht em sua rica antologia poética.



Brecht foi um destacado dramaturgo, poeta e encenador alemão do século XX. Seus trabalhos artísticos e teóricos influenciaram profundamente o teatro contemporâneo, tornando-o mundialmente conhecido pelas apresentações.

Brecht tem, sobre a poesia, o mesmo pensamento que tem sobre a arte
dramática. Maneja-a da maneira mais sábia em defesa da liberdade do homem. Há, em seus poemas, o mesmo sentido épico e didático de suas peças teatrais. Recusa-se a aceitar uma poesia alheia aos acontecimentos sociais. Exige que ela seja atuante sem perder, entretanto, o seu sentido artístico. A poesia moderna deve estar ao lado da revolução
.

1 de abr de 2009

Louca de prazer


Apenas um beijo.
Onde? Não importava, mas um beijo.
Depois tuas mãos me segurando
Suadas. Nada mais importava:
Só o momento tão aguardado
A ansiedade tomara conta do meu ser
Meus anseios gemiam dentro do peito
A saudade gritava em meus ouvidos
Eu me perdia de amor, aquecia-me de paixão.
Deixava sangrar o coração
Que apenas ouvia a voz rouca
vencida pela excitação de um corpo frenético,
em ebulição pelo prazer num canto, louca...